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  • Francisco Capelo

A Grande Ilusão

Atualizado: Abr 13


(tens um talento para a escrita de humor absolutamente extraordinário.

Por favor nunca deixes de escrever esses livros - OBRIGADO Ricardo)



CRIAÇÃO - COMUNICAÇÃO - ILUSÃO




1. CRIAÇÃO



Enquanto artista plástico que sou, tenho alguma dificuldade em aceitar que se coloque um humorista num pedestal, ao mesmo nível de autores de outros mundos – bem mais profundos - desde a Literatura até à História da arte, passando por todas as disciplinas da Ciência – considerada exacta ou ligada às humanidades.


Esta situação de avaliar a real valia intelectual ou criativa não acontece apenas entre diferentes áreas profissionais: podem acontecer dentro de uma mesma categoria de criação. Estou a pensar por exemplo num certo desdém activo do artista visual pelo desenho e gravura – sendo que a maioria de nós desenvolve o grosso da sua obra na pintura, escultura, fotografia e instalação - e o resto aparenta ser transitória paisagem ou efémero andaime para outras obras – essas sim realmente importantes.


O humor poderia (e devia) ser um fenómeno popular de transformação social – sendo o filme de Charlie Chaplin “O grande ditador” talvez o exemplo máximo desta realidade. Mas em grande medida não tem sido. E em tempos de pandemia, torna-se mais difícil encontrar temas para rir do que procurar água no deserto do Kalahari.


A única regra que parece manter-se bem presente é a do facilitismo: o que sabemos que vende e agrada é o que vamos usar. E aqui neste particular, digam-me lá quais são as diferenças entre humorismo e marketing – se as há, nem com uma lupa XXXL alguém algum dia as conseguirá encontrar.




2. COMUNICAÇÃO



Nos nossos tristes dias catalogamos os humoristas de “comunicadores”. Ao mesmo nível dos míticos e totalmente ocos e pueris influencers, e num patamar idêntico dos “jornalistas” que se limitam a divulgar os insultos mais escabrosos das redes sociais em discurso directo – sem qualquer filtro nem capacidade de dourar a pílula. Assim como transformamos modelos inexperientes em actores e actrizes ou apresentadores e apresentadoras num repente, sem prévia discussão – os exigentes castings são para os outros, os verdadeiros profissionais mas que não têm esse elemento diferenciador – um rosto laroca, um sorriso bomboca e uns olhos de chorar por mais.


Discordo. Ser comunicador não é isto. Porque um comunicador é alguém que pensa, que transmite uma opinião fundamentada após pensar nesse assunto e que fica à espera da opinião do outro para aprender e pensar de novo – e que, finalmente e mais importante que tudo, sabe muito bem que comunicação é um processo sempre em aberto – um diálogo e não um monólogo. O verdadeiro comunicador responde, interessa-se, sente-se elevado pelo essencial e não raras vezes inspirador debate de ideias.


Ora, isto acontece sem dúvida com a correcta (e raríssima) utilização do Facebook por parte de Luis Osório: textos sobre temas actuais, breves, concisos, a interpelar consciências, a desafiar ao pensamento. Nunca a banalidade habita estas paragens.


- Mas isto já não acontece com o humor que se assume como um Julgamento de sentença já lida, apenas com acusação sucinta de via única, sem recurso a advogado de defesa e em plena praça pública, para populaça vitoriar e xingar.


Não me chamem para assassinatos de personalidade disfarçados de serviço público de informação.


Para esse peditório não estou disponível - Nunca dei nem darei um cêntimo para atitudes desprezíveis.




3. ILUSÃO



Estamos a viver desde há décadas em clima e contexto de pura ilusão, de pura superficialidade. Esta é a Era de uns meios de comunicação muito dóceis perante os seus verdadeiros donos e que sempre se recusaram a aplicar a si mesmos a auto- regulação de conteúdos culturais preconizada por autores essenciais como Karl Popper – auto- regulação essa tão fundamental e premente como olimpicamente desprezada pelos poderosos - acusando-a de ser uma cândida noção de democracia que apenas serve ao Ego das elites bem- pensantes.


Eles bem sabem que o que está em jogo é uma Outra coisa e eles bem sabem quais são os interesses que devem ser defendidos. Mas adiante, que atrás vem gente.


E são esses os mesmos media que querem agora convencer-nos sem pestanejar e com cara séria da sua perspectiva sobre a(s) nossas realidade(s). Não apenas transmitem os factos, mas apresentam logo, mal disfarçadas de objectividade plena, qual a opinião e qual a conclusão que devemos ter e pensar sobre esse tema.


As famosas Narrativas ! O capital metafórico e calmante das mensagens que nos são impostas tem sido um aliado impagável e extremamente eficaz - e o nivelamento por baixo da qualidade dos programas a partir de certo momento já nem se nota e o espectador a partir daí contenta-se com qualquer coisa. Adormecimento total, exigência pouco mais que Nula - que é o que se quer e deseja.


- Papinha feita, papinha engolida, bébé contente, papá feliz e lar harmonioso.



Deixem-me ser claro como água: este constante e impensado varrer para baixo do tapete de temas sociológicos fracturantes irá num futuro bem próximo desembocar sempre, sempre em ditaduras – Sempre, sem nenhuma excepção conhecida na História da humanidade. E neste detalhe, um humorista como RAP poderia contribuir para o esclarecimento sobre as reais intenções de um político como André Ventura.


Mas não, não o quer fazer - dava se calhar demasiado trabalho – e por isso prefere ignorá-lo – pensando talvez que com essa atitude dir-se-ia minimalista o problema desaparece. Temas espinhosos são Tabu – para a enorme franja do Centrão que defende com unhas e dentes o politicamente correcto no debate público - e agora, aparentemente, pela sua formação e trabalho - também para os humoristas- que- deviam- ser- pensadores- radicais- mas- têm- mais- que- fazer.


Marcelo Rebelo de Sousa pode ter muitos defeitos - mas colocou em dois minutos, no debate televisivo, este político no seu lugar:


- Meu amigo, os meus valores são estes; já a sua direita tem valores muito diferentes, que são os seguintes, tal, tal e tal.


Ponto final na discussão - não foi preciso mais. Nem é preciso mais.


Resultado: nunca mais Ventura piou alto nesse debate. Tão simples, não é?



Nada disto ocorre a RAP. Porque “isto” seria o tal debate de ideias, o tal respeito pela opinião do outro, o tal interesse pela personalidade e sensibilidade alheia.


- Seria a tal C-o-m-u-n-i-c-a-ç-ã-o, de que tanto se fala mas que pouco se pratica – ausente sobretudo no dia- a- dia de quem mais a cita e elogia e devia usar.


E Esta Comunicação, eu encontro-a nos posts de texto - simples na forma mas complexo e diverso nas sugestões de pensamento que Luis Osório escreve no Facebook, nos quais recebe dezenas de respostas e aos quais tem o cuidado e o respeito de responder individualmente – sempre com ideias, sempre com elegância - e nunca com insultos ou ataques pessoais, que são tantas vezes a moeda de troca nesta rede social.


Mas esta mesmíssima Comunicação, já não a encontro no humor- acusação fácil e rápida e simplista da espuma dos dias que muitos vão fazendo por aí, ao vento, tentando agradar a muitos ou a alguns, escondendo-se e escudando-se na barreira defensiva do enorme ruído e gritante mediocridade das TV´s e no relativismo de quase tudo, e que torna o nosso tempo a Ausência em pessoa.


- Humor fast- food? - NÃO, OBRIGADO.



(mantenho o que disse no início: és um talento fora- de- série na escrita de artigos de humor - brilhantes associações de ideias - mas, Ricardo.. ESTE formato de programa, em que existe uma clara caça- ao- homem (Lacerda Sales depois Luís Osório e depois Nuno Graciano..) - não leva a lado nenhum - peço-te: voa como a Águia sobre a floresta para veres o Big Picture..


Grande abraço.





Barões (ou beirões?) assa.ssinalados por RAP:




. Vítima nº1 - Lacerda Sales




. Vítima nº2 - Luís Osório




. Vítima nº3 - Nuno Graciano




. Vítima nº4 - Ivo Rosa




4 vítimas - And counting...


Snipers do costume - façam aí uma nova Mira e abatam o próximo nos próximos 5 segundos e meio - senão a média/ mediana/ mediatriz fica demasiado baixa e as audiências baixam com ela..


Vá lá que é pra isso mesmo que vos pagam o ordenado ao fim do mês..


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