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  • Francisco Capelo

A Religião RACIONAL

Atualizado: Abr 20




“ SE ISTO É UM hOMEM



A religião tem a ver com escolhas. Escolhas, não do divino, mas do humano, que busca representações íntimas, quase directas de si próprio, num espelho demasiadas vezes demasiado opaco. Não existem coincidências, neste jogo simples. Nem o simbólico, esse tão misterioso conceito cujas interpretações são sempre demasiado ambíguas para serem escolhidas como sendo as únicas regras deste jogo, “salvam” a aparente coerência desta aparente verdade absoluta. Um jogo compreensível, previsível, emocionalmente recompensador, para todos o poderem jogar, num tabuleiro global.


E foi neste contexto - social mas sobretudo do humano - que surgiram as escolhas - óbvias - e as regras - também elas óbvias - do homem- tornado- divino.

Era necessário escolher um ser divino - espelho do homem: logo se escolheu o antropomorfismo, essa gradual aproximação ao Deus “perfeito”, com emoções humanas básicas.


Era necessário que o Império Romano escolhesse a religião certa para dominar, além das rotas comerciais do Mediterrâneo, as mentes e almas das sempre simples gentes desse mesmo Império: e o Cristianismo cumpriu o seu papel - após alguns óbvios erros de “casting”.

Era necessário “dividir para reinar”: e “inventou-se” essa Trindade- “Tríade”, que lança poeira aos olhos desses humanos que domina, e domina-os pela doce ilusão de que são religiões diferentes quando são, na realidade, baseadas no mesmo conceito monoteísta e pessoal.


- Judaísmo versus Cristianismo, versus Islão: três opções profuuundamente iguais


Foi necessário construir o homem fragmentado”: e “fez-se luz”, ao separar a natureza que há no homem, para endeusar esse mesmo homem, ou a sua cultura, e ainda a sua postura arrogante de Deus- ele- próprio, perante uma natureza totalmente poluída e desrespeitada. E quem ainda a defendia - os povos índios, foram levados na enxurrada, os seus milhares de bisontes abatidos a sangue frio e os seus líderes assassinados à traição pelo rosto pálido da língua bifurcada.

E havia também a necessidade de escolher a linha de pensamento do Deus único, a mesma perspectiva que suporta a ideia de que o domínio do patriarcal sobre o feminino no divino é algo de adquirido, de racional.


Não o é. Looonge disso.. Mas quem fez estas escolhas “por nós”, já o sabia. Sabia-o muito, muito bem. E neste particular, toda a mulher que é efectivamente Mulher, deve quem sabe e talvez, compreender o alcance destas breves e singelas palavras..

E estas foram as escolhas “certas” para sustentar um Deus personalizado, fato feito à medida, um Deus que é afinal uma grande, uma enormíssima - e não há outro modo de o encarar - uma claríssima impostura intelectual. E aqui neste tão óbvio assunto - nem se torna necessário recorrer às teorias de Freud, para entender o que aconteceu, como aconteceu e quem deu a ordem para o que aconteceu..


Ousemos, portanto, e perante estas evidências históricas, pensar diferente, sentir diferente, e começar, finalmente e sobretudo, a traçar um rumo diferente para a nossa vida intelectual e emotiva.


Para que a religião “oficial” possa vender o seu “peixe”, é necessário um dado de base: o MEDO. Ora, ao existir separado da sua própria origem biológica e igualmente do ambiente natural, num castelo cultural pretensamente inexpugnável, o homem vive obcecado pelo medo da sua morte física. Fantasmas do passado, bem escondidos nos armários de Texas e adjacentes - dos quais ninguém quer retomar a consciência de que esses esqueletos EXISTEM, de facto.. estórias da história com H grande, provavelmente..


E a religião (qualquer uma, à vossa escolha), sabendo isto de antemão, vende então o perdão divino a “preço de saldo” a um homem em rotura com o seu passado, essa infância mal sanada, um homem que procura um Deus personalizável e um Paraíso além da morte. Ora, tanto o Cristianismo como o Islão “vendem” esse produto, essa “nova droga”, esse sonho finalmente alcançável.

Lembremo-nos das palavras de Ortega Y Gasset: “O homem é o homem e as suas circunstâncias”..

Para preparar o terreno à mentira perfeita, há que utilizar mistificações, ou seja, meias- verdades.



| A 1ª mistificação é a passagem do monismo ao monoteísmo: de uma perspectiva do divino ligado directamente às forças da natureza (chuva, sol, tempestades) passa-se para o culto do Deus único. Karl- Heinz Ohlig reconhece até que o monismo tem a seu favor a vantagem racional, mas o problema - digamos assim - é que o monoteísmo permite outros “voos” à religião dos sacerdotes- burocratas...

É desejável a união das duas opções? - é, sim senhor, refere Ohlig; no entanto, nunca existiu historicamente tal união: ou domina um, ou o outro. Já o monoteísmo traz consigo a “armadilha invisível” da massificação, uma vez que representa actualmente a religião de cerca de metade da população mundial. Diga-se ainda que as religiões têm todas a sua origem em indivíduos.

Dá-se uma certa evolução do divino- natureza ao Deus- pai castigador, verificando-se também uma substituição dos deuses por um Deus único egoísta e “ciumento” (Javé dixit): do Xamanismo e das inúmeras variantes animistas, do Budismo e de certo modo do paganismo para a extraordinária personificação do divino:


. Javé no Judaísmo;

. Pai de Jesus Cristo, no Cristianismo;

. e Alá no Islão.




| Passemos agora à 2ª mistificação: o antropomorfismo, ou seja, o Deus feito à imagem do homem.

Os seres humanos pré- históricos ainda não veneravam deuses, mas sim forças objectivas, associadas em grande parte à Terra/ mãe Terra, pensada sobretudo como uma realidade feminina. Esta mentalidade arcaica prolongou-se, provavelmente, até à veneração do feminino nas religiões mundiais. Por volta de meados do 1º milénio a.c., ocorreram rupturas profundas que colocaram o ser humano individual no centro da questão religiosa, reforçando assim a evolução para o antropomorfismo dos deuses.


Tal como no cinema e publicidade os fotogramas/ imagens foram misteriosa e brutalmente aceleradas (de um plano a cada 20 segundos para o mesmo plano em cada.. 1,4 segundos!!) - com o objectivo claro de condicionar as respostas emotivas e sensoriais de um humano- no- limite- de- si- mesmo, talvez nunca se venha a saber se este processo de ênfase no antropomorfismo é imposto “administrativamente” por políticos com uma visão de largo horizonte, ou se a evolução psicológica do próprio homem o impõe de uma forma “natural”.. À falta de dados históricos - aceitam-se apostas..




| A 3ª mistificação tem a ver com a instrumentalização política da religião.

A habitual e tremendamente cínica crítica ocidental ao Islão - acusando-o implicitamente (ou explicitamente..?) de instrumentalização política da religião - tem bastante piada, pois sabe-se que o Império Romano fez exactamente o mesmo, apostando num Cristianismo ainda “criança” para sarar as feridas e unir o Império, após séculos de perseguições e assassínios de milhares de cristãos.


Então, convenhamos... Em que lado está então essa hipocrisia? Essa falta de memória? Só os "outros" sofrem desse original- mal- tão- final- e- mortal?..

A ideia do Ocidente neutral e com as “mãos limpas” está muito mal contada, de facto...

E neste aspecto essencial nem sequer precisamos de recordar as verdadeiras razões na base das tão míticas e romantizadas Cruzadas..



Ora esta aposta de alto risco tem a sua razão de ser: as religiões monoteístas apresentam uma radicalização da noção de um Deus único, absoluto e quase pessoal. O fracasso da política religiosa do Imperador Juliano Apóstata - que quis transformar o Neoplatonismo na ideologia de estado em vez do Cristianismo - era inevitável; nas camadas sociais mais influentes pensava-se já a longo prazo - era evidente que a era do politeísmo tinha passado e o futuro pertenceria sem qualquer dúvida ao Cristianismo..


- Sociologia de vão- de- escada..? Para política ver e usar e deitar fora..? Se calhar...!!


Vemos desta forma o inimigo de ontem a tornar-se rapidamente no amigo de amanhã, a bem de uma unificação mais efectiva de um Império que inúmeras vezes ameaçou ruir, sob os olhos atónitos de gerações e gerações, que habitavam à volta do mítico Mediterrâneo.

A política lava assim a sua alma numa religião domesticada à pressa e à força e à medida dos objectivos de longo fôlego de políticos astutos, que utilizariam absolutamente tudo para salvar o seu próprio poder, ante adversários que também fariam de tudo para lhes usurpar esse mesmo poder. Não é apenas o poder espiritual que se baseia nas ideias de fertilidade, bênção, ancestralidade e espíritos auxiliares; também o poder político utiliza estas ideias para controlar as acções das pessoas.


Desçamos à REALIDADE concreta: no que diz respeito a Jesus Cristo, não terá sido a sua interpretação de Deus- pai a peça mental/ chave "simbólica" que faltava no puzzle religioso e político da sociedade da altura? Mesmo que o Ser HUMANO Jesus Cristo não tivesse essa Consciência? Lembremo-nos de que todas as situações dos profetas relacionadas com a natureza (provocar chuva, dividir as águas , etc) são mais facilmente contextualizáveis e estarão muito provavelmente mais relacionadas com as características emotivas e psico- sociológicas da personalidade dos profetas das diversas acepções animistas - como o xamanismo, e não com Deus(es) personificados..


Ao fazer-se anunciar como o profeta que vinha para “completar a Tora” e não para contestá-la, ganhou a passadeira vermelha estendida por João Baptista, e “colou-se” à tradição judaica, para obter juros políticos, sem dúvida (ah, sim - não tenhamos uma perspectiva simplista da História - se existem teorias, tentemos imediatamente transformá-las em factos, cruzar referências e efectivar um pensamento claro e prático a partir de IDEIAS aparentemente ambíguas e/ ou abstractas).


Esta tentativa aparentemente clara de assumir a profecia religiosa do “Rei dos Judeus”, tem também o seu quê de vontade política de unificação - isso torna-se evidente após uma análise relativamente simples e demonstrável.


Mesmo os milagres que lhe são atribuídos - incluindo o ressuscitar um morto - podem ser justificados com uma baixíssima pressão arterial que "entra em choque" com uma pessoa que se julgava estar morta e que - apenas devido a este detalhe - "acorda" devido a esse mesmo choque. Ou seja - até aqui existirá muito provavelmente uma explicação bastante simples.


O endeusamento é prejudicial à Realidade - na arte, na "religião", na ciência, na literatura, na música... em TUDO!!


Sejamos sérios e baixemos à Terra.


E Não deixemos nenhum pormenor ao acaso - analisemos Mesmo Tudo.


Jesus Cristo tornou-se uma força poderosa - mas mais importante depois da morte, “tradição” logo seguida pela resposta da sociedade aos heróis da Arte Moderna, pós- Impressionismo… mas.. separemos o Homem (totalmente ausente das narrativas metafóricas) do Mito (abusivamente valorizado).


- O mesmo aconteceu com Picasso (ocultação da sua Depressão), com Van Gogh (suicídio ajudado..?) ou com Gauguin (curiosos conselhos envenenados dos seus conselheiros..).



Neste contexto, distingamos ainda o papel do indivíduo que se torna representante dos espíritos nas comunidades onde impera o Xamanismo - bem como muitas outras formas de pensamento animista, das tarefas mais institucionais ocupadas pelos auto- intitulados sacerdotes, na maioria das religiões existentes nos nossos dias.


O xamã é o curandeiro e o feiticeiro, humano e animal, macho e fêmea. O ou a xamã tem uma natureza dupla, humana e divina, já que encarna os espíritos no próprio corpo.


- E aliás esta natureza dupla continua na nossa "cultura" sob a máscara social do Arlequin!! - sabiam..?

Já um sacerdote é totalmente diferente, na medida em que personalizar Alá, Jeová e o Espírito Santo é inconcebível e até blasfemo. Os sacerdotes "representam" apenas uma “rotinização” da função xamânica. Os próprios deuses terão sido xamãs antigos, que aumentaram de importância após as suas mortes.


Enquanto os profetas e outros místicos com experiência directa de "dEUS" são vulgarmente de importância crucial na fase inicial de uma religião mundial, já nos últimos estágios passam a constituir um desafio perigoso à autoridade constituída.. talvez por serem demasiado autênticos!


Aprendamos as lições da História, de uma vez por todas... nada nos move contra a figura de Cristo, ZERO de um Zero absolutamente retumbante. Devemos aprender com TODOS os profetas, e também reconhecer que esses profetas foram instrumentalizados à força, sendo que as "Religiões" nunca existiram - são apenas construções mentais, para que se inicie um jogo de poder político- religioso..


Porque o que existem, isso sim - são TRADIÇÕES ESPIRITUAIS PROFUNDAS.


Digam-nos onde encontram na "realidade" concreta as manifestações do divino - e dir-vos- emos a que TRADIÇÃO Espiritual profunda pertencem..! - aí e só aí saberemos.


Neste elemento fulcral - Nunca nos esqueçamos que Jesus Cristo é considerado um homem santo - TAMBÉM pelo Islão......


Não nos deixemos aprisionar pelas armadilhas socio- psicológicas que alguns curiosos e profundos pensadores bem lá atrás nesta história que é a nossa também - colocaram no nosso caminho - para que tomemos esse mesmo caminho de via única que é tãao desejável que aconteça..


Entre um Xamanismo demasiado ingénuo e sem “estruturas administrativas”, será que a burocracia de sacerdotes sem fé nem capazes das tão essenciais visões místicas é um “remédio” melhor? Duvidamos... deu-se um desenvolvimento temporal desde a visão pessoal do profeta, para uma estrutura de poder burocrática, muitas vezes corrupta e até pedófila de sacerdotes pouco crentes, que beatificam tudo o que mexa à sua volta - mas apenas após a sua morte física... - para que o Mito se sobreponha à sua óbvia MAS incómoda Humanidade...



| A 4ª mistificação é um “clássico” de todos os tempos: a estratégia do “dividir para reinar”. Os americanos, para só citar o exemplo mais actual e mais evidente, utilizam-na há décadas para dominar o mundo. Utiliza-se hoje como ontem, e será sempre assim - num futuro que ainda exista..


Karl- Heinz Ohlig “admite” que o Cristianismo e o Islão nascem do Judaísmo.

A afirmação da relevância absoluta do particular não tornou fácil ao Judaísmo, e mais tarde ao Cristianismo e ao Islão, tolerar outras religiões, cuja diferença era sempre entendida como contestação, não sendo assim tão fácil perceber e reconhecer aquilo que estas religiões tinham em comum.



Vejamos as coincidências..


. O Cristianismo surgiu a partir da religião judaica e assume esta origem também no reconhecimento do carácter normativo da Bíblia judaica, do Primeiro ao Antigo Testamento.


. Já no Islão, o anúncio do profeta aparece numa grande parte do Corão como uma corroboração da revelação, ocorrida anteriormente no Judaísmo e no Cristianismo, da “Escritura”, e o Islão é encarado como a fé na revelação presente nesta Escritura.


Neste con.texto, foi necessário algum tempo para que o Islão se começasse a compreender como uma religião autónoma. O Islão anuncia muito claramente o poder único de Alá. Portanto.. o Islão apresenta uma opção religiosa cuja estrutura é semelhante à do Judaísmo e do Cristianismo!!


. Todas as 3 opções se baseiam no monoteísmo, no Deus único. Ao ouvirmos que “Eu sou Javé, o único Deus; não terás outros deuses pois eu sou ciumento”, e outras coisas que tais, reconhecemos imediatamente os seus dois “filhos”: mas, se Alá é grande e único Deus, e se o pai de Cristo é também o Deus único, das duas, uma: ou dois destes estão errados, ou todos eles mentem e não existe nenhum Deus único!!


- Não tenhamos aqui uma atitude parcial apenas por comungarmos de um determinado credo - sejamos intelectualmente SÉRIOS, vejamos e analisemos os Factos. Factos comprovados e unânimes entre Historiadores da Religião e Antropólogos. E factos - que se convertam imediatamente em Facto Jurídico, porque não.



Ao apostar nesta “Trindade- Tríade”, os grandes senhores da política e da economia esqueceram-se de um único pormenor: a plausibilidade! A lógica é sempre algo mais do que uma batata!

Já para não falar do paradigma geográfico/ espiritual que nos ensinam na cândida e um pouco esquecida "escola": o Médio Oriente não é nem a região do mundo mais complexa nem a mais antiga, a nível religioso. Neste assunto fulcral, há que reconhecer a validade de um “novo” paradigma do divino: em termos religiosos, a Ásia meridional é (e não o Médio Oriente) a região mais complexa do mundo, pátria das antigas religiões do Budismo, hinduísmo, confucionismo, tauismo e xintoismo, bem como de formas de há muito estabelecidas e localmente adaptadas do islamismo e cristianismo - Karl- Heinz Ohlig é neste assunto 125% taxativo, claro como a água pura que desce a ribeira, vinda da poética e longínqua montanha..



| A (e última?) mistificação baseia-se num corte umbilical entre o homem e a natureza. Para “construir” um homem desconstruído, fragmentado, parcial (e apenas parcialmente racional), a revolução industrial assentou que nem uma luva num ambiente citadino opressivo, cruel, massificador de almas, que isola o ser humano numa redoma de paredes, de janelas opacas, de micro- ambientes formais e assépticos, onde cada um é também apenas mais um refém do betão e do cimento.


Sem horizontes de futuro, nem memórias do passado, o homem actual vive em eterna luta de personalização do real e de codificação da ambiguidade comunicacional - contexto este que as investigações actuais da Linguística têm infelizmente aprofundado - em vez de estabelecerem, pelo contrário, uma Pedagogia activa sobre as populações, que leve a um ambiente sociológico de real esclarecimento (científico, artístico e cultural lato sensu). Apesar do trabalho e personalidade de Noam Chomsky serem efectivamente influentes e preciosas a um nível puramente de esclarecimento político -, alguém diga se.. - alguém entende Semiótica, neste momento histórico?? Umberto Eco - também ele fez pedagogia pura para as massas??


. Esquecimentossss..

. Castelos nas nuvens do Olimpo das ideias..

. Bibliotecas de maços de folhas onde a Poesia não habita..


- mas a SABEDORIA - onde está ela??

- transmissão de conhecimento - onde, cadê??

- a mente é só para pensar?

- o verbo, apenas vive em livros?




Chegados a este ponto, esclarecidas e nomeadas as 5 mistificações, é agora tempo de compreender o porquê de todas elas, uma por uma: o sonho que as religiões vendem é sempre, sempre o mesmo, seja em 2020 ou 5 séculos antes ou depois: anuncia-se aos 4 ventos a superação religiosa- intemporal- da morte.

Ao criar o “limbo” nos cemitérios, o Cristianismo burocrático sabia muito bem brandir o chicote sobre as populações. Hoje já ninguém se lembra disso, e o que ficou foi o sonho- ele- próprio: o Paraíso é oferecido, tanto pelo Cristianismo, como pelo Islão, diminuindo a ansiedade natural do homem e permitindo-lhe viver o dia- a- dia sem angústias existenciais indesejáveis à sua produtividade. Ou seja o remédio funciona como deve funcionar para o homem- máquina se poder “encaixar” na fábrica de qualquer coisa, tal como a sociedade globalizada sempre desejou, no seu íntimo.


A actual crise global veio apenas permitir aos empresários e políticos a concretização dos seus próprio e mais loucos sonhos… Nunca houve tanto desemprego, nem nunca existiram tantos milionários… e esta infantil veneração ao mito do sonho americano e ao poder do cifrão - sempre nos afasta do Essencial..


Já a superação do caos inicial - do início do cosmos, do início do simbólico e da Linguagem - parece também enquadrar-se numa lógica idêntica.. mais tarde se entenderá o que esconde este pequeno detalhe..



Ohlig diz mesmo que “O homem é o único animal que sabe que tem de morrer” - será este o melhor conceito de cultura que é possível formular? Provavelmente, até será...


Caríssimos professores universitários da área das Ciências Sociais... podem deixar de procurar esse tão belo e misterioso e abstracto conceito - aqui está ele!


- O homem sabe que vai morrer.