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  • Francisco Capelo

Achatar o Tempo



Achatar o Tempo

Não acredito em futuros passados na manhã de amanhãs sonhados.

Não acredito em passados tão longínquos que nem o presente os sonhe já.

Nem tampouco acredito em presentes embebidos de suaves existências no mundo.

Se o presente não é um presente passado no futuro, lamento mas tal ser não existe.

Parece que Einstein provou que não existe tempo nem espaço por si mesmos: apenas um espaço: espaço- tempo e um tempo que traz em si próprio um espaço atrelado.

Tenho sérias dúvidas sobre fórmulas científicas mágicas; prefiro fórmulas que ensinem gerações – as auto intituladas fórmulas pedagógicas, os Joseph Beuys deste mundo: mais criatividade e consciência e menos conhecimento atrelado a essa coisa chamada de ciência sem paciência.

Aparentemente vivemos num tempo onde o ser humano a si mesmo mente.

Um tempo em que o homem é lobo de um outro homem.

Um tempo em que nações fazem guerra pelas razões erradas e roubam os tesouros culturais e naturais de outras nações em nome de um pesadelo conjuntural qualquer.

Este é um tempo em que homens que se dizem ricos mais não fazem do que viver do aluguer da alma e tempo e esforço de outros homens.

Trago dentro de mim um sonho; vários sonhos, enfim - todos os sonhos deste mundo e arredores.

Esse sonho é o de achatar o Tempo.

Deixa de existir passado a teu lado.

Deixa de estar presente já esse sonho do passado presente perfeito.

E o futuro, de tão puro, se torna de novo passado.

Dou-te duas provas deste aparente facto:

Falemos da religião, ou melhor, das religiões, as três religiões do “livro”: judaísmo, cristianismo e islamismo, que de tão distintas pareçam, irmãs gémeas são, no entanto, tão parecidas como três gotas de água salgada, apenas lágrimas neste imundo fim de mundo, onde papas ficam a falar para o boneco, sozinhos neste estranho presente, onde o que dizem nem sequer ecoa no âmago das nossas almas, numa praça imensa mas já sem alma, nem eco nem sequer conexão ao espírito do profeta inicial.

A religião, falemos dela, porque não ? As várias formas de religião têm um futuro que é passado, em comum: não existirão enquanto tais, e voltará o conceito puro de espiritualidade sã, desligado das estruturas políticas que nada mais fazem do que instrumentalizar os sentimentos das pessoas para obter poder. Aqui o futuro será o passado, pois que os antropólogos são os únicos cientistas sociais que não conseguem mentir e eles dizem, juram a pés juntos que são as várias acepções de animismo a real origem da religião e, digo eu, que triunfarão, quando todos os deuses de coisa nenhuma se desvanecerem como pó, em mãos cujos dedos os não podem mais suster. Do animismo ao xamanismo é um só passo, pequeno como o da ida à lua: “a small step for man; but a giant leap to humanity” – lembram-se ??

Segunda prova de que o futuro será o passado - pensemos então agora em dinheiro, essa medida de todas as coisas que nos invade e envenena o quotidiano. Todos querem ter muito desta nova fórmula instantânea da felicidade do homem moderno (que não homem novo..) e para quê, não me dizem ? Já se esqueceram todos da Alemanha no pós- guerra, em que para comprar um mísero pão era necessário trazer carradas de notas em carrinhos de mão ? Ou a mais recente inflacção galopante em Itália ou no Brasil ? Mário Centeno e todos os génios da banalidade planeiam agora uma inundação de dinheiro nas economias mundiais. Em vez de “it´s raining men” será um muito mais gostoso “it´s raining dollars” !! Mas eu pergunto apenas: e qual o real valor do dinheiro nestes estranhos tempos da contemporaneidade ? Primeiro havia a conexão directa ao ouro, mas esses génios da banalidade acharam por bem quebrar esse vínculo; depois foram os petro- dólares, que não era melhor remédio mas dava mesmo assim ainda uma garantia de proporcionalidade em relação a uma matéria prima que existia, mas depois se calhar também foi considerado um mau sistema pelos donos do mundo e vá de rebentar com isso também.


Deixem-me fazer-lhes um desenho do que vem aí: o futuro do dinheiro é o passado do dinheiro – ou seja, será a troca directa. O dinheiro é usado a nível macro económico entre estados e grandes empresas; mas entre os muitos actores essenciais da micro economia (vulgo as pessoas) deixou de fazer qualquer sentido, essa é que é a verdade..

Falando de novo em Einstein. Os talentos puros estão cada vez mais dispensáveis nestes estranhos tempos, este génio absoluto foi “descoberto” porque naquele momento toda a gente precisava desesperadamente da bomba atómica, não nos esqueçamos… aliás o Nobel que tão justamente lhe foi atribuído foi-lhe entregue por causa de um pormenor minúsculo, em relação às suas ideias e teorias verdadeiramente importantes. Mas esta geração millenial precisa é que a terra aguente mais uma geração – CHEGA de abusos à mãe natureza.

E tu, se queres chegar ao futuro, começa a pensar no passado – pois aí estão TODAS as respostas da humanidade.

Achatar o Tempo – bora lá..? J

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